Um estudante de 16 anos de idade, que não pode ser identificado por razões legais, foi ouvido por um tribunal inglês em um caso inédito na Inglaterra. O jovem foi acusado de praticar “assédio religioso” contra uma funcionária da rede McDonald’s que se declarou “pagã praticante”.
O réu descobriu através de amigos em comum que a jovem dizia ser pagã e por isso, negava os ensinamentos da Igreja oficial da Inglaterra, que é Anglicana, um ramo dos evangélicos. Durante mais de seis semanas enquanto ela estava no trabalho na lanchonete ele a criticou e zombou publicamente dela por causa de sua opção religiosa.
Simon Newell, representante do Ministério Público, disse: “O réu estava ciente dos efeitos que estava causando na vítima e nos outros funcionários. Ele sabia que isso era inaceitável e, mesmo assim, continuou. Ele admitiu que fez isso apenas para irritá-la”. O adolescente declarou-se culpado de “assédio religioso agravado”, uma forma de ofensa pouco comum, mas que gera pena ao acusado.
O tribunal da juventude de Colchester ouviu o adolescente que vive em Lawford e assediou a empregada do McDonald’s entre 24 de dezembro de 2011 e 18 de fevereiro deste ano.
Ele repetidamente entrava no prédio onde funciona lanchonete na High Street para “provocar” a sua vítima, deixando a funcionária “muito chateada com isso”.
Nos termos do artigo 32, da Lei de Crime e Desordem, uma pessoa é culpada do delito, se cometer assédio “racial ou religioso agravado”. Após o julgamento na corte juvenil, os magistrados decidiram que o adolescente deverá cumprir pena em meio aberto durante três meses. Ele será obrigado a fazer trabalho não remunerado na comunidade e está proibido de ter contato com sua vítima até novembro deste ano.
A Federação Pagã da Grã-Bretanha comemorou, afirmando que os pagãos praticantes são livres para “buscar sua própria visão do Divino, como uma experiência direta e pessoal”. Ela define o paganismo como uma “religião que adora a natureza”. Também explica que eles incorporam uma “rica diversidade de tradições”, incluindo druidas e xamãs, enquanto se dedicam à bruxaria ou ecologia.
Laura Austin, que julgou o caso, disse ao tribunal que não sabia que o paganismo era uma religião reconhecida. Após a audiência, acrescentou: “Até onde sei, este é o primeiro caso desse tipo. Eu tive que fazer uma série de perguntas para me convencer de que era uma religião reconhecida e que se encaixava na legislação atual”.
Cas Morehan, dono da franquia da loja do McDonald, disse que: “Infelizmente existem casos onde os funcionários são submetidos a assédio e abuso por parte dos clientes… reconhecemos nosso dever de cuidar de nossos funcionários e tomar as medidas necessárias para proteger nossa equipe. Neste caso particular, precisamos chamar a polícia”.
Traduzido e adaptado de Telegraph
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