Nove ministros acompanharam o voto do
relator, Ricardo Lewandowski. O ministro Antônio Dias Toffoli se
declarou impedido de votar, porque quando era advogado-geral da União
posicionou-se a favor da reserva de vagas. Por isso, dos 11 ministros do
STF, somente dez participam do julgamento.
O último ministro a se manifestar, o
presidente do STF, Carlos Ayres Britto, disse que a política
compensatória é justificada pela Constituição. Para ele, os erros de uma
geração podem ser revistos pela geração seguinte. “O preconceito é
histórico. Quem não sofre preconceito de cor já leva uma enorme
vantagem, significa desfrutar de uma situação favorecida negada a
outros”, explicou Britto.
“As ações afirmativas não são as
melhores opções. A melhor opção é ter uma sociedade na qual todo mundo
seja livre par ser o que quiser. Isso é uma etapa, um processo, uma
necessidade em uma sociedade onde isso não aconteceu naturalmente”,
disse a ministra.
Gilmar Mendes fez ressalvas sobre o
modelo adotado pela UNB. Para ele, é necessária a revisão desse modelo,
pois ele pode tender à inconstitucionalidade posteriormente. “Todos
podemos imaginar as distorções eventualmente involuntárias e eventuais
de caráter voluntário a partir desse tribunal (racial da UNB), que opera
com quase nenhuma transparência”, argumentou Mendes.
Para o DEM, esse tipo de política de
ação afirmativa viola diversos preceitos fundamentais garantidos na
Constituição. O partido justificou que vão ocorrer “danos irreparáveis
se a matrícula se basear em cotas raciais, a partir de critérios
dissimulados, inconstitucionais e pretensiosos”, pois fica caracterizada
“ofensa aos estudantes preteridos”.
Caso UNB
O
índio guarani Araju Sepeti foi expulso da sessão do plenário do STF
após interromper por mais de uma vez o voto do ministro Luis Fux
A ação afirmativa faz parte do Plano de
Metas para Integração Social, Étnica e Racial da universidade e foi
aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. No primeiro
vestibular, o sistema de cotas foi responsável pela aprovação de 18,6%
dos candidatos. A eles, foram destinados 20% do total de vagas de cada
curso oferecido. A comissão que implementou as cotas para negros foi a
mesma que firmou o convênio entre a UNB e a Fundação Nacional do Índio
(Funai), de 12 de março de 2004.
Durante o julgamento, dois índios foram
expulsos do plenário da Corte por atrapalhar a sessão durante o voto do
ministro Luiz Fux. Os índios Araju Sepeti Guarani e Carlos Pankararu,
que iniciaram a manifestação, foram imobilizados e retirados à força por
um grupo de seguranças do Tribunal. Os índios criticaram o fato de só o
sistema de cotas raciais estar em julgamento.

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